Por um Mundo com Mais Cristinas

Por um Mundo com Mais Cristinas

Reencontrei há alguns dias uma companheira de ideais e foi muito bom esse reencontro. Cristina Ayres, há 29 anos à frente de um trabalho social na cidade de Ariquemes. Todo mundo da área da Assistência Social do município a conhece. Também não é para menos. Desde 1978 ela luta uma batalha para muitos inglória: reinserir adolescentes que cometeram atos infracionais ao convívio social, na família, na escola e no trabalho. Inglória, porque poucas são as vitórias. Porém, significativas.

Para Cristina, a vida de uma criança e de um adolescente vale muito. E é aí onde nós duas encontramos muita sinergia.  Para mim também, Cristina, uma vida tem um valor inestimável! E, em se tratando de uma criança ou de um adolescente essa vida me é ainda mais cara.

Estive lado a lado com ela nesta luta quando fui secretária municipal de Assistência Social em Ariquemes, entre os anos de 2005 a 2009. Ali a conheci melhor e fizemos uma boa parceria. Aprendi na prática e, principalmente com ela, o que significa resiliência. Palavra que ganhou fama e entrou na moda, mas que poucos a experimentam de fato.  Em minha alma, entretanto, o seu significado criou corpo.

Resiliência é quando você não se intimida e luta pelo sim, mesmo quando o mundo inteiro diz não. É assim que Cristina, essa mulher incansável, realiza o trabalho para salvar crianças e adolescentes tidos como perdidos.

Essa bandeira eu empunhei e carreguei para o meu próximo degrau. Fui para a Secretaria de Assistência Social do Estado com esse ideal de lutar pela infância e pela adolescência. O foco maior foi o de impedir que mais crianças e adolescentes fossem tragados pelo crime e drogas antes de chegarem à juventude, situação enfrentada diariamente por Cristina. Idealizei o Plano FutuRO com esta prioridade, entre outras.

No meu reencontro com Cristina Ayres ela me deu um número chocante: R$ 5 mil por mês é o custo de cada adolescente internado no Cesea,  local em que cumprem suas “penas” pelos atos infracionais cometidos.  Ela mesma se incumbiu de completar o vaticínio: “tanto dinheiro, muitas vezes para não recuperar ninguém”.

Ela, do alto dos seus 29 anos de experiência na área, me disse que chegou a conclusão que o maior investimento deve ser feito na primeira infância. Segundo ela, a política pública mais assertiva é a dirigida às crianças na educação infantil. “Toda escola infantil deve ter um psicólogo e um assistente social. Com esses dois profissionais agindo nesta fase, muitos problemas futuros podem ser evitados”.  Ouvindo a tese de Cristina senti um aperto no coração e me lembrei novamente da filosofia do Plano FutuRO que, entre outras coisas, aspirava colocar, à época, um pequeno batalhão composto com esses  profissionais para atuar junto às escolas de ensino fundamental numa grande maratona de prevenção e preparação das crianças para as fases seguintes. O objetivo era permitir que chegassem à adolescência e à juventude plenos e saudáveis.

Eu senti de novo, naquele momento, aquela sinergia forte com Cristina. Aquela mesma do passado me mostrando que estamos certas em continuar lutando por essas vidas. Vale a pena Cristina! Ainda que muitos continuem dizendo Não.

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